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Presidente Oaks destaca a importância de ser pacificador em discurso na Catedral Nacional de Washington

O Presidente Dallin H. Oaks, Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, falou sobre liberdade religiosa, união e pacificação durante um discurso na Catedral Nacional de Washington, nos Estados Unidos.

Ao falar para acadêmicos, líderes civis e religiosos e outras autoridades, o Presidente Oaks compartilhou a experiência histórica da Igreja como uma minoria religiosa e os desafios de construir uma sociedade em que pessoas com diferentes crenças e valores possam viver em paz.

“Precisamos construir um caminho melhor para o futuro, uma maneira de resolver as diferenças sem abrir mão de nossos valores centrais”, ensinou.

Em suas palavras, ele destacou a importância de pessoas com diferentes crenças e valores aprenderem a conviver, dialogar e trabalhar juntas em busca do bem comum.

“Pode-se dizer que nos tornamos pacificadores e defensores da liberdade e da união por pura necessidade”, afirmou. Segundo ele, ao longo da história, os membros da Igreja aprenderam a fazer concessões políticas para preservar a liberdade e a coesão necessárias para viver em paz com pessoas das quais discordam em questões de fé.

A Constituição e a liberdade religiosa

O presidente Oaks explicou que sua mensagem não representava nenhum partido político ou grupo de pressão. Ele afirmou falar a partir de décadas de estudo da Constituição dos Estados Unidos e de sua experiência como advogado, professor de Direito, juiz da Suprema Corte de Utah e líder religioso.

Para ele, a Constituição possui importância singular para os membros da Igreja. “Temos uma revelação que a reconhece como divinamente inspirada. Isso não significa que cada palavra em si seja inspirada, mas sim que ela se fundamenta em princípios inspirados”, explicou.

Entre esses princípios, ele citou a soberania popular, a divisão de poderes entre o governo federal e os estados, a separação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e as garantias de direitos individuais. Também destacou um princípio que considerou central: a ideia de que as pessoas devem ser governadas por leis, e não por indivíduos.

“Nossa lealdade deve ser à Constituição, aos seus princípios e processos, e não a governantes específicos”, ensinou.

O presidente Oaks também ressaltou que a liberdade religiosa precisa ser compreendida dentro de uma sociedade pluralista, na qual cidadãos possuem diferentes crenças ou não possuem nenhuma. “A verdadeira liberdade religiosa precisa reconhecer a realidade de que, em uma nação formada por cidadãos com as mais diversas crenças, ou mesmo sem crença alguma, o governo precisa, às vezes, limitar o direito de alguns de agir com base em suas convicções, sempre que isso for necessário para proteger a saúde, a segurança e o bem-estar de todos.”

“Precisamos uns dos outros”

Ao abordar os desafios de viver em uma sociedade com diferentes valores, o presidente Oaks afirmou que a união exige mais do que simplesmente concordar uns com os outros.

“Como base real para essa união, todos nós precisamos aceitar o fato de que somos concidadãos e de que precisamos uns dos outros”, disse. Ele acrescentou que isso significa obedecer a determinadas leis das quais podemos não gostar e aprender a conviver pacificamente com pessoas cujos valores são diferentes dos nossos.

Quando há conflitos sobre os limites dos direitos, segundo ele, é necessário buscar soluções por meio do diálogo, da negociação e dos processos legais. “Precisamos construir um caminho melhor para o futuro, uma maneira de resolver as diferenças sem abrir mão de nossos valores centrais. Devemos buscar a justiça para todos”, afirmou.

Ele reconheceu que esse processo não é simples, especialmente quando as pessoas discordam sobre quais direitos devem ser considerados fundamentais. Ainda assim, destacou que posições divergentes podem ser ponderadas e negociadas para preservar os direitos essenciais de todos na maior medida possível.

“Nossos concidadãos não são nossos inimigos”

Ao falar sobre como lidar com aqueles que possuem opiniões diferentes, o presidente Oaks citou o professor Robert P. George: “Precisamos nos lembrar de que os nossos concidadãos com os quais discordamos — mesmo quando discordamos profundamente sobre questões fundamentais de justiça e do bem comum — não são nossos inimigos”.

Para o presidente Oaks, conviver em paz exige boa vontade, tempo e paciência. Também é necessário compreender quais questões são realmente inegociáveis para cada lado e buscar soluções por meio do respeito mútuo, da compreensão compartilhada e de negociações de boa-fé.

“Longe de ser um sinal de fraqueza, conciliar posições opostas por meio de negociações respeitosas é uma virtude”, ensinou. Em seguida, relacionou esse princípio aos ensinamentos de Jesus Cristo: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

Um exemplo de pacificação no “Compromisso de Utah”

O presidente Oaks apresentou como exemplo de negociação o que ficou conhecido como “Compromisso de Utah”, relacionado a uma legislação sobre moradia, emprego, liberdade religiosa e não discriminação.

Segundo ele, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e defensores da não discriminação, que inicialmente estavam em lados opostos da questão, decidiram dialogar e negociar. O processo envolveu também o poder legislativo de Utah, que emendou a Lei Antidiscriminação do estado em 2015.

O resultado estabeleceu proteções para os dois lados. A legislação proporcionou proteção contra discriminação no emprego e na moradia e, ao mesmo tempo, garantiu proteção à liberdade religiosa em áreas consideradas sensíveis pela Igreja, incluindo contratações feitas pela Igreja e alojamentos estudantis.

“Embora a lei não tenha dado a nenhum dos lados tudo o que desejavam, essa conciliação garantiu benefícios significativos para ambos”, afirmou o presidente Oaks. Para ele, o resultado demonstra como a ponderação de diferentes interesses no processo legislativo pode produzir soluções que não seriam alcançadas por meio do confronto.

Troy Williams, que na época era diretor executivo da organização Equality Utah, participou das negociações e descreveu o processo da seguinte maneira: “Encontramos soluções juntos. Nenhum dos lados abriu mão de seus valores; em vez disso, descobrimos novos caminhos que respeitavam a ambos e construímos pontos em comum”.

A pacificação começa nas relações entre as pessoas

Para o presidente Oaks, a pacificação não acontece apenas em grandes debates políticos ou em processos legislativos. Ela também pode começar nas relações cotidianas.

“Quando surge uma questão polêmica e repleta de conflitos, devemos encará-la como uma oportunidade de ouvir e aprender — tanto sobre o problema em si quanto sobre aqueles que pensam diferente de nós”, afirmou. Segundo ele, esse modo de lidar com os conflitos permite buscar “justiça para todos” sem abandonar os valores centrais de cada pessoa.

Ele citou ainda o programa Mãos que Ajudam como exemplo de como o serviço pode aproximar pessoas. Dezenas de milhares de voluntários participam de esforços de limpeza após desastres naturais e de outros projetos humanitários. Ao trabalharem lado a lado, pessoas de diferentes origens e crenças desenvolvem relacionamentos que, segundo o presidente Oaks, seriam difíceis de alcançar apenas por meio de declarações institucionais.

“Quando nossos voluntários chegam para ajudar, as pessoas em apuros não perguntam quais são as crenças deles. Da mesma forma, os voluntários ajudam a todos, e não apenas aos seus irmãos de fé”, explicou. Para ele, isso acontece porque necessidades humanas como segurança, família e esperança podem aproximar pessoas que, em outras circunstâncias, poderiam estar separadas por suas diferenças.

“Todos podem fazer isso”

Ao concluir sua mensagem, o presidente Oaks ampliou o conceito de pacificação para diferentes situações da vida. Ele mencionou líderes religiosos que ajudam a resolver conflitos, jovens que escolhem servir e praticar atos de bondade e pessoas que trabalham para diminuir o sofrimento humano ou promover o entendimento entre povos.

“Pessoas de boa vontade, com compaixão e com o desejo de entender e ajudar umas às outras estão no cerne da pacificação”, afirmou. “Trata-se, essencialmente, de tentar compreender as necessidades e os compromissos profundos de ambos os lados e, então, construir soluções que tragam paz e justiça para todos.”

O presidente Oaks também ensinou que a crença de que todas as pessoas são filhas de Deus pode ajudar a enxergar o valor de cada indivíduo e a superar preconceitos e racismo. Ele reconheceu que buscar a paz não é uma tarefa fácil, mas afirmou que os ensinamentos de Jesus Cristo tornam esse esforço possível.

“Ele nos deu este mandamento de amar e prometeu o Seu auxílio à medida que buscamos cumpri-lo”, disse.

Ao encerrar seu discurso na Catedral Nacional de Washington, o presidente Oaks fez uma oração para que as pessoas buscassem ser pacificadoras.

“Longe de ser um sinal de fraqueza, conciliar posições opostas por meio de negociações respeitosas é uma virtude”, ensinou. E concluiu: “Oro ao nosso Pai Celestial para que derrame Suas bênçãos sobre nós, a fim de que todos busquemos ser pacificadores”.

Fonte: Washington National Cathedral

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Post original de Maisfé.org

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