Primeiro missionário do Ramo Northshore Portuguese Speaking: uma história de gerações
Sou da terceira geração da minha família na Igreja, minha sobrinha já é a quarta. Do lado do meu pai, natural de São Paulo capital, tudo começou há mais de 55 anos, quando meu avô conheceu o evangelho no bairro da Mooca (Ala XI Mooca).
Anos antes, ele havia recebido um exemplar do Livro de Mórmon das mãos de missionários no Viaduto do Chá, no centro da cidade, mas nunca mais conseguiu encontrá-los. Tempo depois, outros missionários entraram por acaso numa padaria da Mooca onde meu avô estava, ele os abordou, recebeu as lições e foi batizado.
Um deles era o Élder Beck, David Beck, que anos mais tarde seria Presidente Geral dos Rapazes (2009–2015) e Presidente da Missão Rio de Janeiro, entre outros chamados, como toda a sua família desde os anos 1940 (a história dos Beck é contada no filme Brasil, Doce Lar).
Do lado da minha mãe, natural de Recife, a história é igualmente marcante. Há quase 35 anos, durante um intercâmbio internacional em Utah, ela foi recebida pela família Hunt, membros da Igreja, e conheceu o evangelho observando o hábito deles de orar nas refeições e reuniões familiares.
Para autorizar seu batismo, os Hunt enviaram uma referência à Missão Brasil Recife, recebida, por coincidência, pelo missionário que servia como líder de zona na Estaca Olinda em 1992: meu pai. Ele participou do batismo de mais de doze membros da família da minha mãe, e anos depois os dois se casaram. Sempre vejo a mão do Senhor conduzindo essa história.

O convênio que moldou uma vocação
Desde criança, ouvi meu pai contar sobre um convênio que fez com o Senhor: pedia um filho e prometia que esse filho serviria uma missão de tempo integral, compartilhando com outras pessoas as bênçãos que o evangelho trouxe para nossa família.
Cresci na primária da Ala XI Mooca ouvindo esse desejo e vendo o exemplo dos meus pais. Com o tempo, ele deixou de ser só deles e passou a ser meu também, à medida que fortaleci meu testemunho de Jesus Cristo e do evangelho restaurado, tive certeza de que queria dedicar dois anos da minha vida ao Senhor.
Quando a carta chegou, todos estavam ansiosos para saber onde eu serviria, tínhamos certeza de que, no mínimo, seria o Brasil. O Élder Ulisses Soares e a Rozana, amigos de longa data da família, acompanharam o momento tão ansiosos quanto nós, e todos ficamos surpresos ao ler que eu serviria na Missão Utah Layton, o mesmo lugar onde minha mãe conheceu a Igreja e foi batizada, em seu intercâmbio de 1992. Minha mãe ficou sem palavras. Foi impossível não ver a mão do Senhor nessa coincidência.
Entre tantas missões no mundo, inclusive novas missões sendo abertas no Brasil justamente este ano, ser brasileiro, falante nativo de português, e ser chamado exatamente para onde a fé da minha família começou do lado materno tornou esse chamado ainda mais especial. Sinto que o Senhor preparou esse caminho muito antes de eu nascer.

Primeiro missionário de um ramo novo
Ser o primeiro missionário do Ramo Northshore Portuguese Speaking, em Seattle, é uma honra e também uma responsabilidade. Minha família chegou até Seattle por um caminho próprio: minha irmã mora em Minneapolis, onde fiz intercâmbio durante o high school, na Ala Lake Nokomis; depois, meu cunhado foi chamado para trabalhar no projeto do foguete New Glenn, da Blue Origin, em Seattle.
Foi assim que encontramos o Ramo Northshore Portuguese Speaking, organizado havia poucos meses. Meus pais decidiram apoiar o ramo, passando mais tempo na cidade junto à família da minha irmã, e sentimos que seria o lugar certo para eu me preparar para a missão, aos 17 anos, prestes a completar 18.
Fomos recebidos com muito amor desde o primeiro dia, e contamos também com o apoio da Estaca Bothell, que me acolheu entre os jovens da ala americana enquanto o ramo ainda não tinha jovens suficientes. Sou grato ao presidente do ramo, Eric Santos, e à esposa dele, Vanessa Koch Santos, por toda a dedicação em viabilizar meu chamado. Ser o primeiro missionário desse ramo representa o esforço de tantas famílias que trabalharam para que ele existisse, e espero inspirar os jovens de 12 e 13 anos que ali estão a também aceitarem, em breve, o chamado para servir.

O que levo para a missão
Espero desenvolver um amor ainda maior por Jesus Cristo e pelas pessoas, aprender a servir com mais humildade, paciência e dedicação, e ajudar o maior número possível de pessoas a conhecer o evangelho restaurado. Sinto a responsabilidade de retribuir a bênção recebida pela minha mãe e por toda a família materna, levando às pessoas e famílias de Layton, a mesma missão onde ela foi batizada, a oportunidade de mudar de vida e cumprir as ordenanças sagradas, como foi proporcionado a mim e à minha família.
Meu pai costuma contar que, nos anos 70, ainda jovem, participou de conferências regionais ao lado do meu avô, na época do Presidente Kimball, do Presidente Benson e do Élder Faust, grande amigo do meu avô. Esses líderes diziam que os filhos e netos das pessoas presentes ali se tornariam uma força para levar o evangelho a vários países, inclusive aos próprios Estados Unidos.
Hoje vejo essa profecia se cumprindo, no meu próprio exemplo e nas unidades de língua portuguesa espalhadas pelo mundo, na África, na Inglaterra, no Japão, no Canadá e nos Estados Unidos. Espero mostrar que, onde quer que vivamos, todos podemos servir ao Senhor com alegria e fé, unidos como filhos de Deus.
Tem sido um período de muita preparação espiritual e pessoal, com desafios e milagres acontecendo. Me formei no seminário mês passado, aqui no ramo em Seattle. Meu pai me conferiu o Sacerdócio de Melquisedeque, e no domingo passado me tornei um Élder.
Agora me preparo para entrar pela primeira vez no Templo de Seattle e fazer meus endowments neste sábado, dia em que teremos a bênção de contar com uma sessão em português no templo. Tenho estudado as escrituras diariamente, fortalecido meu testemunho e aproveitado os últimos momentos com minha família. Estou pronto para chegar ao CTM em Provo, prestar meu testemunho e servir ao Senhor de todo o coração.
Artigo escrito com base no relato de Thomas Jefferson Júnior.
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Post original de Maisfé.org
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